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26/12/2013

de passagem #16

Exatamente por não ser livre e ter a consciência de que esse fato o torna incompleto é que o homem arquiteta, nos atos de pensar o futuro, um ser social e individual ainda não realizado, mas que serve de orientação às lutas que ele empreende contra o sistema que existe agora e o domina exatamente para não deixá-lo ser livre, ou seja, para que, numa série de ações radicalmente transformadoras, conquiste um dia sua humanidade e assim se sinta completado.
Moacyr Felix. Algo a Dizer, 1992.

07/05/2012

porta entre-aberta



Todo sonho permanece sendo sonho pelo fato de ter tido muito pouco êxito, de ter conseguido levar pouca coisa a termo. Por isso, ele não pode esquecer o que falta, e mantém a porta aberta em relação a todas as coisas. A porta no mínimo entreaberta, quando se dirige para objetos agradáveis, chama-se esperança. Sendo que não há esperança sem angústia nem angústia sem esperança; ambas se mantêm mutuamente em suspenso, por mais que a esperança prepondere para o valente, por meio do valente. No entanto, também ela, sendo possivelmente ilusória, por qual fogo-fátuo, deve ser uma esperança sabedora, uma em si mesma previamente refletida.

Ernst Bloch. O Princípio Esperança I, p. 326.

06/07/2010

de passagem #5

Desde cedo desejamos encontrar a nós mesmos. Mas não sabemos quem somos. Só está claro que ninguém é o que gostaria ou o que poderia ser. Daí vem a inveja reles, a saber, daqueles que parecem ter, sim, parecem ser o que cabe a nós. Mas daí vem também a vontade de começar algo novo, algo que começa conosco mesmos. Sempre se procurou viver de acordo consigo mesmo. É dentro de nós que está aquilo que poderíamos vir a ser. Manifesta-se como inquietação de não estar suficientemente definido. A juventude é apenas a manifestação mais visível, mas não a única, desse sentimento. (Ernst Bloch)

[fotografia: Egberto Simoni]